Reflections · Uncategorized

Educação moderna: Como chegamos aqui?!

A História da Educação, na perspectiva cristã, começa nos primórdios da história de Israel, e nos ensina princípios importantes.

Primeiro, que Deus sempre instruiu seu povo. Desde Genesis, Deus dá linguagem e instruções ao homem para que ele nomeasse os animais e governasse sobre a terra.

Ao longo da história de Israel, o povo sempre foi educado, instruído e direcionado pela Palavra de Deus, dada aos seus juízes, reis e profetas. Deus,através de Moisés, ensinou seu povo a guardar a Lei, que começou com os dez mandamentos.

Ele, o Deus onipotente, os ensinou não só através da Lei, mas também a guardar memoriais, festividades e princípios que não deixaria seu povo esquecer de onde eles tinham sido resgatados.

Ele orientou os pais a ensinarem seus filhos a guardarem os Seus caminhos e a ensiná-los Sua Lei, no aprendizado teórico e na prática da vida diária.

O instrumento básico para a educação, desde alfabetização até o desenvolvimento de um ofício, era a família. Tanto a tradição oral quanto a escrita eram elementares.

Em segundo lugar, os princípios judaico-cristãos sempre se voltaram para a formação do caráter, antes do intelecto. Quem o indivíduo é, em essência e na prática, importa mais do que conhecimento intectual.

Os primeiros judeus entendiam que suas vidas, o desenvolvimento da sociedade e o conhecimento nas mais diversas áreas orbitavam em torno do temor e da adoração a Deus.

A Lei de Deus era o currículo escolar do povo de Israel, e posteriormente, dos cristãos.

Todo ensino tinha um princípio que deveria ser não só aprendido e memorizado, mas exercido no dia-a-dia, pelo povo de Israel. Por exemplo, a Páscoa deveria ser celebrada da mesma forma que foi no principio, quando Deus tirou o povo do Egito, com um cordeiro por família,assado inteiro no fogo, pão sem fermento e ervas amargas, que foi comido às pressas antes de serem liderados para fora da terra da escravidão.

Que princípio a Páscoa ensinou ao povo: Que o Deus de Israel liberta! E o sangue do cordeiro que foi passado nos umbrais das portas, representava o sangue de Cristo, que no futuro nos libertaria da escravidão e da morte gerados pelo pecado.(Exodo 12)

Podemos citar vários exemplos, mas o ponto principal é este: Deus sempre instruiu o seu povo, e seus ensinamentos eram bons!

Em “Educação por princípios, fundamentos do currículo escolar” temos um vislumbre de como a educação funcionava em Israel:

“As crianças eram educadas pelos pais até os 7 ou 8 anos. O trabalho na escola elementar era dividido em 3 níveis: seis a dez anos, dez a quinze anos e acima de quinze anos. Os dois primeiros níveis eram obrigatórios para todas as crianças. Dos 6 aos 10 anos o Pentateuco era o texto principal, dos 10 aos 15 era a Mishna (a primeira parte do Talmude).Se o rapaz continuasse sua educação a partir dos 15 anos, daria atenção a Guemará, ou segunda parte do Talmude.”(JEHLE, 2018)

No contexto do povo de Deus, toda instrução girava em torno da Lei, que eram repassados pela família e posteriormente, pelos mestres no templo.

A lei apresentava as expectativas de Deus para seu povo e futuras gerações de Israel, assim como o currículo cristão apresenta as expectativas morais e práticas de uma geração para a outra.

Por outro lado, se considerarmos o modelo grego de educação, vemos que o desenvolvimento intelectual das crianças era ignorado até os 12 anos. O desenvolvimento intelecutal começava na adolescencia e ia até a idade adulta.

O foco era puramente intelectual: Matemática, filosofia, oratória e habilidades que serviriam à sociedade,(em alguns casos, como Esparta também havia o treinamento militar) não havia valores e princípios transcendentais, como na educação judaica.

Como disse Heschel (1959): “Os gregos aprendiam a fim de compreender. Os hebreus aprendiam para reverenciar. O homem moderno aprende a fim de utilizar. ”

Filósofos gregos como Sócrates e Platão influenciaram o método educacional através da dicotomia e da retórica. Através de questionamentos e argumentações o aluno chegaria a “verdade por si mesmo”.

A instrução era voltada a matérias como matemática, filosofia e retórica, a fim de que fossem formados cidadãos para servir ao governo. Aristóteles, apesar de voltado mais as ciências naturais, também acreditava que o objetivo da educação era servir ao Estado.

A virtude humana, para os gregos, era baseada no conhecimento do mundo e evidenciada pelo “comportamento correto”. O intelecto passou a ser mais valorizado. A razão acima da fé,até chegar ao nível que temos hoje, uma em total oposição à outra..

Então, como chegamos no modelo de alfabetização e educação que temos hoje?

Consideremos também figuras como Rousseau, precursor das ideias da Revolução Francesa. Ele desprezava o ensino infantil, achava que somente a partir dos 12 anos a criança atingia a “idade da razão” e, então , deveria receber instrução intelectual.

Considerava que a razão da corrupção humana era a própria sociedade(e suas condições), uma vez que o homem”nascia bom”.

Desprezava a disciplina, a moral e o Cristianismo. Não é de se admirar que sua vida pessoal tenha sido um fracasso e suas obras, na época, eram queimadas em praça pública. Suas ideias podem ser resumidas pelas seguintes ideias:

  • A educação deve ser baseada na natureza, ou seja, a criança deve seguir os seus sentimentos e vontades. 
  • A educação é fundamental para que o homem se adapte às mudanças da sociedade e da vida. 
  • A educação não vem de fora, mas é a expressão livre da criança no contato com a natureza. 
  • O aprendizado deve ser conduzido pelos interesses do aprendiz. 
  • A educação deve ser lúdica, interativa e de dificuldades progressivas.

Foi a visão humanista, que começou com as ideias renascentistas, que transformou a educação no que temos hoje. Colocar o homem no centro da existência, sendo ele a medida e a resposta de todas as questões elementares, foi a tragédia da educação.

Agora , o homem não mais está a serviço de Deus, mas sim do Estado.  Passa-se a entender que “o sucesso e o progresso provêm do ajuste e da adaptação do meio social. ”

Os fundamentos sólidos da verdade e da razão foram trocados pelas mais diversas “experiências” e visões intelectuais que se atualizam a cada 20 ou 30 anos.

Quando abandonamos a razão e os fundamentos verdadeiros das Escrituras em busca de “autonomia” na vida, na arte, na ciência ou seja em qual área for, somos forçados a dar um “salto”(movimento irracional) para conseguir explicar quetões elementares.

É como se o homem tentasse chegar à resposta sobre a origem da vida, do mal, da corupção da sociedade e o anseio pelo transcendental tirando Deus e o pecado original da equação.

A partir daí, só resta uma explicação ilógica e desconexa da realidade, “o salto”, como diz o autor Francis Schaeffer em “A morte da razão”)

A visão cristã da realidade, em contrapartida, entende que a visão do mundo deve ser holística, que o visível e o invisível são complementares, que a fé e a razão não estão em oposição,pelo contrário, existe dialógo.

No ambito da educação, as disciplinas se conectam e devem ter todas a mesma origem: Cristo. O homem é moldado por uma cosmovisão fundada em valores sólidos, que vieram do Criador.

Nessa visão, tudo existe com um próposito, e não é apenas um produto do meio, do acaso. A vida não “se adapta” conforme os valores sociais vigentes. É O homem que deve ser tranformado pelo senhorio de Cristo e autoridade das Escrituras.

Um acontecimento de estrema importância na história do Cristianismo e por consequência, da educação foi a Reforma Protestante. Martinho Lutero acreditava nas Escrituras como autoridade final na vida do cristão e por isso, lutou para que o povo tivesse acesso à ela.

A tradução do Novo testamento para o alemão possibilitou que as pessoas pudessem ser alfabetizadas e tirou o poder absoluto do clero, que queria intermediar a fé tirar proveito da ignorância da população.

A reforma influenciou grandemente a educação pública, que passou a ser mais incentivada pelo Estado e até então, fundamentada nas Escrituras.

Mas, como nem tudo são boas notícias, tivemos também a influência de homens como Karl Marx no pensamento intelectual dos últimos dois séculos. Marx, ironicamente, veio de uma família de judeus convertidos ao Cristianismo e sua mãe era de uma família próspera.

Mesmo tendo acesso a uma boa educação devido à sua condição econômica, Marx era um crítico ferrenho da estrtura capitalista e familiar, que considerava opressoras.

O manisfesto Comunista, escrito com seu amigo burguês Friedrich Engels, influenciou fortemente a visão do ociente e penetrou sorrateiramente na educação, principalmente nas univerdades, que hoje pregam, sem o menor pudor, todos os princípios da visão marxista.

Quando falamos especificamente da educação brasileira, não podemos deixar de citar a grande influência do pedagogo Paulo Freire. Ele se tornou conhecido na esfera da educação quando criou uma metodologia eficaz de alfabetização de adultos.

Na educação Freiriana, o aluno se vê como um produto do meio, uma vítima do sistema. Ele aprende aquilo que julga pertinente, de acordo com seu contexto, em constante diálogo com o professor.

Nessa visão, é a história pessoal que importa e, o professor, antes um guia e reconhecidamente o denteror do conhecimento transmitido, agora é somente um intermediário.

A partir dessa visão, nfluenciada pelo humanismo e pelo Marxismo, o aluno como agente social, vive em uma constante luta para tentar transformar a realidade social.

A lógica é de culpar sempre o Estado e as estruturas sociais, sempre excluindo o seu próprio comportamento como indivíduo, da equação.

Seja qual for a abordagem educacional que temos hoje, ela sempre vem embalada em princípios humanistas e socialistas.

A educação cristã, por outro lado, traz(ou deveria trazer) princípios sólidos que, uma vez colocados em prática, transformam o indivíduo e por consequência, a sociedade.

O aluno entende o mundo da perspectiva do Criador e, o objetivo da educação é aplicar e guardar os princípios de um Deus bom, que deseja se relacionar com o homem e tem um propósito claro de redenção para a humanidade, através de Cristo.

Embora em ambas as visões exista o “anseio de transformar o entorno”, na cristã, o homem entende que a transformação começa nele,através de Cristo. Ele compreende e aplica os princípios e valores imutáveis da Palavra de Deus.

Na educação humanista e freiriana, o homem é uma eterna vítima, lutando sozinho para transformar a sociedade, sem adotar nele mesmo, a mudança.

Mas então, como podemos trazer a educação infantil de volta aos princípios cristãos? Cristo e a Palavra de Deus devem voltar a ser o centro de toda a aprendizagem. Voltemos aos princípios elementares da educação segundo as Escrituras:

A pratica educacional em Israel requeria que a criança começasse a viver a Lei e não apenas memoriza-la ou a repeti-la. O amarrar as leis (usualmente em rolos) era tanto literal quanto simbólico. Significava que a Lei devia estar diante da criança em qualquer coisa que ela estivesse fazendo(…) Mais do que literal, novamente, era um símbolo de que deveríamos discernir tudo na vida através dos padrões das verdades absolutas de Deus. A lei era esse padrão. Hoje, a bíblia ainda o é. Sabemos que o caráter da criança é mudado quando começamos a ver toda a vida através dos valores da verdade bíblica. As Escrituras nos umbrais das portas significam que nosso estilo de vida inteiro deve estar fundamentado nas verdades de Deus. (JEHLE, 2018)

Como utilizamos os princípios bíblicos na educação infantil? Voltando à um modelo de alfabetização não enviezado, sem relativismo, sem politicamente correto.

Trazendo de volta valores como: O temor a Deus, o amor ao próximo, a verdade imutável e a obediência aos pais. Seja em casa, na salinha da igreja ou dentro da escola cristã.

Ensinar que Cristo é o centro de todo aprendizado e não a criança, que nos submetemos a vontade Dele e não a nossa, fundamentando as aulas em verdades absolutas e bíblicas.

Resgatar a metodologia de aprendizagem que virou refém do relativismo, de opiniões ou da pregação marxista que se instalou nos discursos educacionais, colocando sempre uma figura “opressora” na história. Valorizando a perspectiva pessoal acima da verdade.

É nosso papel também quebrar paradigmas, como por exemplo, que a razão e a ciência são contrárias à fé. Os princípios cristãos devem conversar com todas as disciplinas. Trazendo de volta a essência das Escrituras em todo o processo de aprendizado.

O homem não é o centro do aprendizado, Cristo é.

Deixe um comentário